Para começar, vou explicar porque chamamos este tipo de dança de clássico. Tente se lembrar, por exemplo, de música clássica, de filmes clássicos (como os desenhos da Disney: O Rei Leão, a Pequena Sereia, Branca de Neve...), de peças de teatro clássicas (Romeu e Julieta ou as tragédias gregas). Há duas coisas em comum entre tudo isso: a primeira é que a maioria das pessoas conhece pelo menos uma música, filme, peça de teatro dentro da lista dos clássicos. Lembra do caminhão de gás? Aquela música que ele geralmente toca é um clássico de Beethoven chamado "Para Elisa" em português. Aliás, acho uma música muito bonita e romântica para ser difundida dessa forma... Enfim! A segunda coisa em comum é que tudo o que é clássico não perde valor conforme o tempo passa. Um vestido básico preto, moda criada por Coco Channel, é um clássico que fica bem para qualquer festa ou cerimônia, dentre as mais simples e as mais formais. Sem brincadeira, posso usar o mesmo vestido preto numa cerimônia fúnebre ou numa festa com os amigos, uma balada qualquer. O que muda são os acessórios, sapatos, penteados, que entram e saem da moda e se adequam a cada ocasião, porém, o vestido preto tá lá, sempre o mesmo!
Com a dança clássica não é diferente. Muito embora os passos e as técnicas tenham se modernizado, assim como os figurinos, a estética do palco e do corpo de baile, o essencial permanece, de forma que é possível executar exatamente a mesma peça em qualquer lugar, seja na Broadway, no Bolshoi ou em Joinville! O Lago dos Cisnes é o mesmo nos EUA, na Rússia e no Brasil. É claro, há adaptações para algumas bailarinas de acordo com sua capacidade, mas esta é a exceção à regra. É comum encontrar escolas de dança lotadas de menininhas em suas meias-calça, colants, e aaah! As amadas sapatilhas de Ballet. Se você perguntar para suas amigas, é possível que encontre algumas que já tenham feito aula de Ballet Clássico alguma vez na vida. Até mesmo você. Pode ser ainda que já tenha sentido vontade de fazer alguma vez, ou, como eu, voltou às aulas já depois de grandinha, com mais de 18! Para algumas pessoas, uma vez bailarina, bailarina sempre!
Hoje em dia não existem mais restrições de idade para quem quer começar ou retornar às aulas. Também não há tantos problemas com excesso de peso, desde que você se dedique a superar seus limites. Todos somos capazes de dar muito mais do que pensamos ser capazes. Então, se sente vontade de fazer pra valer, não deixe a balança ou o que os outros pensam intimidarem você. Dançar é, antes de tudo, superação da mente, corpo e alma. E sim, é muito difícil e exige disciplina como qualquer outra coisa que você queira aprender!
Se você ficou interessada no assunto, continue lendo! Vamos falar agora um pouquinho da técnica e da dinâmica da dança Clássica.
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| Ana Botafogo e partner Ronaldo Martins no Festival de Dança de Gramado |
Antes de mais nada, é preciso saber que a maior parte do nome dos exercícios de Ballet Clássico são em língua francesa. Há alguns em inglês, mas estes são a menor parte. O bom disto é que não são nomes muito difíceis de pronunciar e, sabendo seu significado, são auto-explicativos. Por exemplo, Pas de Chat (1) do francês "dança/passo do gato": o movimento nos faz lembrar o passo de um gato saltando na posição horizontal. O Pas de Cheval do francês "dança/passo do cavalo", nos lembra um salto de um cavalo sobre obstáculos numa posição frontal.
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| 1. Pas de Chat |
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| 2. Pas de Cheval |
A primeira coisa a aprender são as posições de braços e pés:
Bras Bras
A posição dos braços, a partir da qual todas as outras se iniciam, chama-se bras bras (lê-se brá-brá e significa "braços embaixo). É ainda uma posição de repouso entre os exercícios. A partir do bras bras é possível fazer as outras cinco posições básicas dos braços. São elas ->
Obs.: As fotos a seguir não estão muito boas porque foram tiradas da apostila da Royal Academy of Dance e a minha versão é dos anos 70, por aí!
Existem ainda mais duas posições que usamos para começar ou terminar exercícios. O demi-seconde (meia-segunda), que fica entre a segunda posição e o bras bras. E o demi-bras (meio-braço) entre a primeira e a segunda posições.
O movimento que fazemos de braços passando por todas estas posições é chamado de port de bras que significa "transporte de braços". O port de bras está em toda coreografia e a ideia é mudar as posições de braços graciosamente, o que significa que não há parada entre uma posição e outra. Pode-se ir da primeira para a terceira posição, por exemplo, porém dançando com os braços entre uma posição e outra.
Vamos agora para as posições dos pés. Como nas posições de braços, há cinco posições básicas dos pés:
Pelo menos para mim, a posição mais complicada é a quinta porque a ideia é fechá-la, ou seja, grudar ponta e calcanhar. Para a quarta posição, há duas variações. Esta na foto é derivada da primeira posição, pois os calcanhares estão alinhados. A outra variação é derivada da quinta posição, alinhando pontas à calcanhares.
Não vou cansar vocês com regras de postura. Vou continuar falando dos pés, desta vez, sobre as pontas! As tão sonhadas sapatilhas de ponta que nos dão inúmeras bolhas, mas que amamos cada dia mais, conforme conseguimos nos sustentar sobre elas, depois fazer alguns passos simples, então girar e, o ápice, fazer um fouetté en tournent! Somente as bailarinas usam sapatilhas de ponta, os homens dançaram eternamente nas meias pontas, o que não lhes tira o mérito. Já acho incrível uma mulher ser bailarina. Mas um homem é, às vezes, mais incrível! Um dos motivos, é porque, além de superarem os limites do corpo, superam os da sociedade preconceituosa que repete e repete que Ballet é coisa de mulher. Cara, vão lutar muay tay que é mais fácil! Nada contra as artes marciais, mas Ballet é sim, coisa pra homem e pra mulheres realmente fortes!
O ponto chave para poder começar a usar as pontas é ter força nos tornozelos e nas pernas e um bom alongamento nos pés, o que chamamos de peito de pé. Veja a foto abaixo:
Hoje em dia as sapatilhas de ponta já não machucam tanto. Há ponteiras de silicone que tornam nossas vidas muito mais fáceis e menos dolorosas. São feitas com gesso, o que permite subir nas pontas dos dedos, é o que nos sustenta no chão. Conforme pomos força nas palminhas, a sapatilha vai se quebrando e se amolda aos pés. Ela quebra aonde aplicamos a força, por isso, existem diversos tipos de sapatilha adequadas a cada bailarina. Quem tem muito peito de pé, precisa de sapatilhas com a palminha mais reforçada, por exemplo. Veja o esquema abaixo:
No início são todas duras, mas há exercícios que vão ajudando a quebrar as sapatilhas e moldá-las nos pés
Pimentas, acho que por enquanto é só, há muuuuito mais o que falar sobre Ballet Clássico, mas por hoje, vamos ficar nas pinceladas, ok? Finalizo com algumas fotos de diversas bailarinas, inclusive eu e amigas amigas, cenas de filmes e bailarinas famosas! Espero que tenham gostado, pimentas, um beeeeeeeeijo!










Parabéns Carol, muito bom mesmo esse especial que você nos apresentou sobre o Ballet Clássico. Achei uma gracinha as fotos das menininhas no começo do artigo. Curti os últimos vídeos principalmente aquele Rota Ballet Relevés na ponta.
ResponderExcluirNão sou fã de Ballet, mas tenho de dar os parabéns pelo fato de como você abordou o tema e nos apresentou. Sensacional!!!